24 de dez. de 2011

C O R

Trago um toque de vermelho
quem sabe assim
te vejo no espelho

C U R T A

Tudo será muito leve
já basta
a vida ser tão breve

14 de dez. de 2011

R E S S A C A

Exercito o escrever
mas não tem jeito
de repente uma ideia se revolta
e foge descontrolada!

Dia seguinte resta a ressaca desletrada
e a tentativa de não ficar
só à espera de inspirações esparsas
como se sentado estivesse
à beira de pensamentos
pescando palavras
achando que pularão prontas
para serem deglutidas.

Exercito o descontrole.

R A C H A D O S

Nem tudo está perdido
Achei seu guarda-chuva
num canto esquecido

27 de nov. de 2011

L A D O . D E . F O R A

Ele pensou suas faxinas internas,
necessárias e inadiáveis,
mas muitas vezes ia pra debaixo do tapete
a camada espessa de poeira.

Ela veio e tirou o tapete.

Ele zanza pela sala empurrando a sujeira.
Atordoado ainda.
Tendo que se encarar.
E tenta não ser o próprio lixo.

Ela espera do lado de fora.

Ele, de vez, descobre que há um lado de fora.

26 de nov. de 2011

R A I O

Raios podem não cair duas vezes num mesmo lugar
Caso sinta um único, bem perto, bem do lado
não se esconda

se acenda
se arrepie
se eletrize
se derreta

13 de nov. de 2011

D E L I C A D E Z A S


A delicadeza não é uma roupa que se veste
é a pele que se tem (ou não)

o gesto quase parado
o piscar em outro ritmo
o encontro dos lábios
o toque e o não toque
o não olhar
o não falar
o dizer direto
o pé descalço na sala
o olho fechado mirando o teto
o espreguiçar sorridente
o cantar
o encantar
o encostar a cabeça por alguns segundos

é a não despedida
para continuar muito

S E I . N Ã O . . .


Aprender com erros? Sei não...
Soa um pouco
como errar até a perfeição.

6 de nov. de 2011

M E D O S


Medos não faltam por aí
alguns estranhos, para quem não os tem.

Multidões, lagartixa, solidão, serpente,
escuro, luz intensa, altura, profundezas,
sapos, borboletas, trovões, sol ardido,
cubículos, amplidão, minhoca, bactéria...
lista sem fim!

Assustador é o medo de si próprio
e afasto esse para perder os outros.

T R A T A M E N T O . D E . C H O Q U E

Que tenho eu que, de aflito,
ligado em sua voltagem
me torno calmo e reflito

E M . C O M U M


O que temos em comum
opostos corpos descobertos
é o que temos, incomum

Opostos portos de calmaria
ventania, chuva intensa, noite fria
é o que temos, incomum

30 de out. de 2011

O R A S

Num dia chegou às 8
no outro, 4 da tarde
em algum, se foi tão cedo

não importa
me veio na hora certa

29 de out. de 2011

M A C I A

A boca faz bicos
passarinhando beijos

A boca faz risos
beijorvalhando macio

19 de out. de 2011

T E M P O

O tempo pousa no ombro esquerdo
tento o caminhar mais lento
mas é ele quem me conduz

página amarelada, rasgada nos cantos
quantas vezes, em desencontros, o perdi
quantas vezes, inutilmente, tentei recuperá-lo
quantas vezes, por medo, passei a ignorá-lo

nem sei se sabe ele quem sou [é possível...]
mas sei que hoje o quero por perto
folha em branco a ser rabiscada