25 de jan. de 2012

A T O

Criar muitas vezes é um ato solitário
escrever, pintar, compor
fotografar, esculpir, ouvir
lapidar ideias

Um ato até egoísta e exigente
que busca pinceladas, vírgulas, ruídos
únicos
em cantos escondidos
nas cicatrizes, nos medos
nas alegrias permitidas
o mostrar sem mostrar

É a presunção de novos olhares
para o que sempre houve
mesmas cores, notas iguais
palavras de sempre

Criar tem um toque de solidão
carente de observadores e colos
ligação silenciosa com tudo em volta
ponte incerta para o lado de fora

T I N T O

A taça, à espera, vazia
não do vinho
mas da sua companhia

13 de jan. de 2012

C A L E N D Á R I O

Certamente o calendário desta vez não valeu.

O ano sonolento, já passado, lembrou de se começar lá pelo meio,
quase junho.

Depois correu
arrastando tudo pelo caminho, com a pressa que nem sabia que tinha,
misturou extremos, opostos, encaixou, desencaixou, cutucou, jogou pro alto,
escorreu pelas paredes, explodiu, se espalhou,
quis apertar tantos meses em poucos.

Quando se viu, o calendário mudou quieto
e o ano, intenso e desmedido,
precisou de mais uns dias para se acabar,
transbordado que estava.

Mas acabou tranquilo,
reinventando o seu tempo.
Os próximos?
Serão montados
a partir de agora.