16 de ago. de 2012

C I D A D E

Sempre se vê o asfalto trincado
[o olhar baixo é sempre uma constante]
No olhar erguido, levemente,
o cenário trincado

De um lado,  parede suja
do outro,      a porta trancada
                   vidros quebrados
                   a não resposta
                   um grafite estragado
                   resto de restos
                   a não pergunta

Tudo cuidadosamente fora do lugar
como se viva fosse a cidade
desconstruída de gente

9 de ago. de 2012

O L H A R E S

Com que olhos
eu olho em volta
ruas cheias
ruas de cheiros
mistura de dar vontades
de dar enjoo

Com que olhos
eu olho o cheiro,
a alfazema encoberta

com que olhos
nem olho e volto
esbarro em volta e tropeço

olho o que já não importa
até brotar o interessante