4 de set. de 2012

J A N E L A S

O prédio em frente
lembra uma caixa de bijuterias
gavetas fechadas
gavetas acesas sem ordem
descombinadas, sem sono

Tantos sonhos engavetados
tantas dores engavetadas
tanto silêncio iluminado
tantas cortinas pra enevoar

O prédio em frente
lembra o prédio ao lado, o de trás,
e mais outro

Tantas vidas engradeadas
[nem todas acesas]
encaixinhadas
como vidrinhos coloridos
sem graça

T E I M O S A M E N T E

Recorro a certas palavras
e elas, teimosamente sem controle,
se tornam recorrentes

Então empurro algumas pra longe
e elas voltam, rodeando
Tento trancá-las,
escapam
Procuro ignorá-las,
provocam

Me resta deixar que sentem ao lado,
quietas e atentas,
e, quando menos espero,
se escrevem
me descrevem