18 de abr. de 2012

C O L E T I V O

Na calçada larga da Paulista
gente com passos curtos
ruídos intensos de fundo
poucas vozes
poucos olhares
e mal se esbarram

Tantos ao celular,
[quantos sem crédito, desligados]
fazendo de conta que tem com quem conversar

O resto de sol bate
no final do dia igual
alaranjando a solidão coletiva.

D E . S E M P R E

Talvez meus pulmões
sobrevivam a tanta fumaça

Talvez meu estômago
resista ao café em excesso

Talvez as pernas
aguentem um passo a mais

Talvez o coração
[largando pedaços pelo caminho]
siga no descontrole de sempre

F E B R I L

Causa arrepios, calafrios
em pleno verão que não se finda

Dói no corpo
deixa a pele quente
fôlego ausente
cama molhada de tanto suor

Se alivia na penumbra
despenteia
e na voz que falha
escapa só um gemido
nessa boca seca

Seria a febre da gripe forte
ou são somente lembranças?

13 de abr. de 2012

A N D O

Enquanto tantos vão divagando
eu, tartarugamente,
sigo devagarzando