27 de nov. de 2011

L A D O . D E . F O R A

Ele pensou suas faxinas internas,
necessárias e inadiáveis,
mas muitas vezes ia pra debaixo do tapete
a camada espessa de poeira.

Ela veio e tirou o tapete.

Ele zanza pela sala empurrando a sujeira.
Atordoado ainda.
Tendo que se encarar.
E tenta não ser o próprio lixo.

Ela espera do lado de fora.

Ele, de vez, descobre que há um lado de fora.

26 de nov. de 2011

R A I O

Raios podem não cair duas vezes num mesmo lugar
Caso sinta um único, bem perto, bem do lado
não se esconda

se acenda
se arrepie
se eletrize
se derreta

13 de nov. de 2011

D E L I C A D E Z A S


A delicadeza não é uma roupa que se veste
é a pele que se tem (ou não)

o gesto quase parado
o piscar em outro ritmo
o encontro dos lábios
o toque e o não toque
o não olhar
o não falar
o dizer direto
o pé descalço na sala
o olho fechado mirando o teto
o espreguiçar sorridente
o cantar
o encantar
o encostar a cabeça por alguns segundos

é a não despedida
para continuar muito

S E I . N Ã O . . .


Aprender com erros? Sei não...
Soa um pouco
como errar até a perfeição.

6 de nov. de 2011

M E D O S


Medos não faltam por aí
alguns estranhos, para quem não os tem.

Multidões, lagartixa, solidão, serpente,
escuro, luz intensa, altura, profundezas,
sapos, borboletas, trovões, sol ardido,
cubículos, amplidão, minhoca, bactéria...
lista sem fim!

Assustador é o medo de si próprio
e afasto esse para perder os outros.

T R A T A M E N T O . D E . C H O Q U E

Que tenho eu que, de aflito,
ligado em sua voltagem
me torno calmo e reflito

E M . C O M U M


O que temos em comum
opostos corpos descobertos
é o que temos, incomum

Opostos portos de calmaria
ventania, chuva intensa, noite fria
é o que temos, incomum